Time A (Amebas) 8 x 7 Time B (Boca-abertas)
Alguns culparam o frio, que adia o aquecimento apropriado dos músculos e juntas já desgastadas destes infelizes teimosos. Outros atribuíram a baixa qualidade do futebol ao clima tenso e de transição que vivem seus times do coração.
Por estes e outros tantos motivos, o herói da noite não estava no Planet Ball. Dali não poderia ter saído nada de bom numa jornada que todos já fazem questão de esquecer. O herói do 4 de agosto é o verdadeiro imortal do futebol gaúcho: Celso Juarez Roth.
(Pausa dramática)
Celso Juarez é o verdadeiro imortal. Não somos nós, que, a cada quinta-feira, insistimos em nos fardar e entrar em campo, ignorando as chacotas dos colegas de trabalho, o olhar de pena de nossas mulheres e a indiferença de nossos filhos diante do inevitável constrangimento. Celso, ele sim, é o imortal, o verdadeiro herói destas plagas.
Mas, talvez, haja algo mais, algo além de toda esta mediocridade. Assim como um dos pseudo-heróis do Caroço, o glorioso Filippelli, torcedor dedicado e que, mesmo nas noites frias, vai ao estádio ver seu time entregar resultados, cair na tabela e ver o fantasma do rebaixamento se aproximar, todos os (ex)atletas do Caroço carregam um Celso Juarez dentro de si.
Temos aquela chama inextinguível de esperança que cochicha em nossos ouvidos dizendo que sempre vale a pena entrar em campo, pois aquele pode ser o dia da redenção, da glória e da consagração.
De tanto insistir, a vida sorriu para Celso Juarez na noite de 18 de agosto de 2010 e, sejamos francos, ela dificilmente voltará a sorrir da mesma forma. A graça alcançada chama-se Libertadores da América. Com ela embaixo do braço, Celso Juarez não só engrossa seu currículo, como negocia valores mais agudos para seus contratos.
A noite de uma das piores partidas de futebol dos Amigos do Caroço aconteceu no dia em que Celso Juarez voltou a fazer com que a diminuta torcida tricolor enxergasse nele a salvação. E é triste (para qualquer agremiação) o dia em que a esperança se resume a repetição de velhas rezas e mandingas. Celso Juarez, por fim, tornou-se um amuleto para os desesperados.
Fomos deprimentes, não jogamos nada, nos movimentamos como amebas com reumatismo e, ainda por cima, não fomos capazes de reconhecer nenhuma destas ridículas realidades durante o jogo a fim de poder mudá-las a tempo. O Time A ganhou de virada do Time B. Mas e daí? Foi uma merda de jogo e o que realmente importou foi o churrasco depois.
Semana que vem tem mais, é claro. É óbvio! Quem sabe não vai ser este o dia da consagração, da glória e da redenção de todos nós?
Escalações e gols
Time A (de "amebas"), com Marcelo (2), Lula (2), Cristiano (1), Fábio (1) e Elio (2)
Time B (de "boca aberta"), que teve o Fillippeli Juarez (2), Rodrigão (1), Igor Juarez Goiano (1), Carlos Juarez (2), Codevilla e Santos (o outro gol foi contra, de Lula)
Lance Demmmaaaais
Rodrigão, que cabeceou, mas Marcelo tirou em cima da linha. No rebote, o grandalhão bateu, mas Marcelo fez outra defesa milagrosa
Lance Inacreditável
Revelando a bisonhice que foi a partida, em uma bola que sobrou no meio, Elio foi passar para Cristiano e acabou acertando seu próprio companheiro Marcelo, que vinha em sua direção
Performances
Time A (Amebas)
Lula - Não devia nem ter vindo. Francamente. Pra se ter uma ideia do descaso, nem tirou o abrigo para jogar.
Marcelo - Metade do jogo já tinha passado e ele dizia que não iria arriscar nenhuma corrida mais forte ou jogada mais ousada porque ainda estava aquecendo. Sem noção.
Cristiano - Não trouxe a cachacinha (Decisão) e já se queimou. Em campo, mais um vulto do que outrora foi com a bola nos pés. Fim de carreira, amigo.
Fábio - Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Foi o único que tentou algumas jogadas pela ponta, às vezes com sucesso, às vezes sem critério.
Elio - O momento em que se movimentou mais foi quando parou para tirar a foto com o time. Está com a cabeça no show do Erasure semana que vem.
Time B (Boca-Abertas)
Codevilla - Umas defesas aqui e ali, fechando bem o ângulo, mas também foi contagiado pela letargia coletiva.
Fillippeli Juarez - Movido pela raiva e pelo amor a Celso Juarez, o lépido atacante pouco mostrou em campo. Após o jogo, Paulo Pelaipe enviou recado dizendo que quer ve-lo encostar a bundinha no gramado semana que vem.
Rodrigo - Corpo presente, cabeça ausente. Movimentou-se como um mosquito de uma asa só e sucumbiu ao torpor que pairava sobre a quadra.
Igor Juarez Goiano - Escolheu duas faixas do campo para jogar e dali tentava conduzir algumas jogadas. Bem na cobertura, principalmente porque, na maioria das vezes, não havia nada a ser coberto.
Carlos Juarez - Talvez aí estivesse a única faísca criativa desta noite tão triste para o futebol. Mas esta tese caiu por terra quando o jogo acabou, pois seu time perdeu. Se tivesse jogado tudo aquilo, teria ganho.
Santos - Aquele homem de boa fé, dedicado advogado, amigo fiel e sucesso com as mulheres... ficou em casa e mandou o avatar.
E a campanha de ontem no Twitter pedindo #FICAFILIPPELLI foi um sucesso!!!
O Filippeli ficou! Que homem bom!
Texto e fotos: Marcelo


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